Título: ( )
Artista: Sigur Rós
Ano de lançamento: 2002
País: Islândia
Gênero: Post Rock/Ambient/Art Rock
Duração: 72:05
Tracklist:
1. Untitled #1 (6:38)
2. Untitled #2 (7:33)
3. Untitled #3 (6:33)
4. Untitled #4 (6:57)
5. Untitled #5 (9:57)
6. Untitled #6 (8:48)
7. Untitled #7 (12:52)
8. Untitled #8 (11:43)
E para essa ressurreição escolhi um disco soturno, mas certamente belíssimo!
O Sigur Rós é uma dessas bandas que, desde o seu começo, desafiou convenções. A começar pelo seu país de origem, a misteriosa e gelada Islândia. E aí está um adjetivo apropriado para descrever ( ): gelado.
Sendo o terceiro disco da banda e altamente antecipado após o sucesso estrondoso de Ágætis byrjun, de 1999, ( ) veio como uma surpresa que chegou a ser considerada por muitos à época como pretensiosa: um álbum cujo único título são dois parênteses contendo oito músicas sem título. Indo além, todas as músicas são cantadas em Vonlenska (ao pé-da-letra: Esperancês), uma língua inventada pela banda contendo apenas poucas sílabas que remetem à fonética do Islandês e as palavras não possuem nenhum significado. Justamente por isso, o encarte do CD vinha com um livreto em branco, onde o ouvinte era convidado a escrever suas próprias impressões sobre as músicas onde as letras deveriam estar. Algum consideraram genial, outros consideraram pedante. Não faltaram comparações com o Radiohead que, à altura, já tinham lançado seu polêmico Kid A havia dois anos, disco que significou uma ruptura brusca da banda com o rock "convencional" e trouxe elementos eletrônicos e temas mais sombrios.
( ) também refletiu uma mudança no som do Sigur Rós. Seu disco antecessor mostrou a "cara" da banda, com os vocais agudos de Jón Birgisson, muito piano e atmosfera de teclados, quarteto de cordas e a famosa guitarra tocada com um arco de violino. Por ser um disco sem título com músicas sem título, é difícil definir os temas abordados pela banda em ( ). Mas sabe-se que as quatro primeiras músicas representam a metade mais "animada" do disco, enquanto que as quatro últimas músicas são mais melancólicas e obscuras.
Contudo, é difícil definir a primeira música do disco como animada. Na verdade ela apresenta os acordes mais tristes que essa pessoa que vos escreve já ouviu. O clipe da música apresenta crianças brincando em volta de um carro em um futuro apocalíptico que ostenta um céu vermelho e neve preta. Mas não se deve subestimar a incrível beleza e paz que tal música proporciona, quase que uma marcha fúnebre que acalenta o ouvinte.
A segunda música apresenta a guitarra em um papel mais proeminente, carregada de reverb, a bateria como sempre minimalista e precisa, assim como o baixo e a atmosfera lúgubre e angelical dos teclados de Kjartan Sveinsson e do quarteto de cordas Amiina.
Já emendando do último acorde da música anterior, Untitled #3 mostra uma progressão de acordes hipnótica sobre a qual uma frase de piano se repete infinitamente, variando sobre o mesmo tema. A música segue em um crescendo até morrer no final, sempre acompanhando a mesma progressão de acordes. Novamente, vemos melodias belíssimas e tristes que certamente não interessarão ao ouvinte que não estiver disposto em manifestar qualquer sentimento.
A quarta música se destaca por ter sido usada na cena final de Vanilla Sky, filme estrelado por Tom Cruise e Penélope Cruz que traz em sua trilha sonora outras músicas do Sigur Rós e do Radiohead. Certamente a mais esperançosa das músicas da primeira metade do disco, é quase que um convite a um passeio pelos céus nas asas de um anjo. Com melodias bem mais alegres, a beleza triste das três canções anteriores derretem e a jornada pela primeira metade do disco termina, acompanhada por meio minuto de silêncio, para que o ouvinte se acostume com o que está por vir.
Sobre a segunda metade do disco, comentarei apenas a última canção do disco, Untitled #8. Esta é um ótimo exemplo de uma típica (e ótima) música de Post Rock: um riff contagiante que se repete constantemente em uma longa música que apresenta diversos crescendos até uma explosão final, certamente a única parte do disco que se pode chamar de Rock, quase que um Punk atmosférico. Apelidada de "Popplagið" (Música Pop), é uma favorita nos setlists da banda, pois possibilita extenso uso de pirotecnia no palco. A pulsante bateria que toma conta da música a partir dos 6:20 dá início ao crescendo que explode finalmente três minutos depois, um gran finale grandioso (não consegui escapar da redundância) que se encerra com uma nota Mi grave da guitarra distorcida.
De maneira geral, por ser um disco muito climático e ambiental, não é de fácil digestão, pois se exige que o ouvinte esteja disposto a enfrentar seus 72 minutos de melodias angustiantes e minimalistas. Mas, se apreciado corretamente e no estado de espírito correto, esse belo trabalho se mostra digno de ser considerado um dos melhores discos da primeira década do século XXI. O Sigur Rós viria a lançar no futuro discos mais acessíveis e menos taciturnos, mas ( ) merece destaque por seu vanguardismo contestado e pelo universo melancólico e belo que cria ao redor daquele que o escuta.
Em breve, mais resenhas!
Aquele abraço,
Fazendeiro submarino
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