terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Big Star - #1 Record



















Título: #1 Record
 Artista: Big Star
 Ano de lançamento: 1972
 País: Estados Unidos
 Gênero: Power Pop / Pop Rock
 Duração: 37:03


Tracklist:

1. Feel (3:34)
2. The Ballad of El Goodo (4:21)
3. In The Street (2:55)
4. Thirteen (2:34)
5. Don't Lie To Me (3:07)
6. The India Song (2:20)
7. When My Baby's Beside Me (3:22)
8. My Life Is Right (3:07)
9. Give Me Another Chance (3:26)
10. Try Again (3:31)
11. Watch The Sunrise (3:45)
12. St 100/6 (1:01)


Fico muito feliz em escrever sobre o Big Star, pois esta é, na minha opinião, a banda mais subestimada da história do pop rock. Uma feliz descoberta de alguns anos atrás, o primeiro disco da banda, #1 Record (1972), figura entre meus favoritos de todos os tempos por suas melodias cativantes e arranjos maravilhosamente produzidos.
Expoentes do chamado Power Pop, gênero que se caracteriza por músicas mais curtas, acessíveis e de melodias marcantes sem perder a "pegada" do rock clássico, o Big Star surgiu em Memphis, Tennessee em 1971. Dentre suas principais influências, bandas da chamada British Invasion (The Kinks, The Beatles) e nomes americanos de peso como The Byrds e The Beach Boys. Daí percebe-se de onde vêm as inspirações para suas belas melodias combinadas com a energia do rock do final dos anos sessenta.

#1 Record é basicamente fruto de composições de Alex Chilton (falecido em 2010) e Chris Bell (morto em 1978 em um acidente de carro), tidos como os Lennon/McCartney da banda.
O disco abre com Feel, uma verdadeira porrada em uma clássica progressão de acordes de blues. Já de início se percebem os vocais muito bem executados por Chilton e Bell. O solo de guitarra nessa música é simplesmente um dos meus favoritos no rock'n'roll, por sua energia, simplicidade, entregando justamente o que se espera de um standard do blues rock.
The Ballad of El Goodo tem melodias imediatamente cativantes, quase que familiares ao ouvido inatento. Sendo, como o próprio título sugere, uma balada, esta canção mostra mais o lado pop da banda.
Os fãs da série de TV That 70's Show vão reconhecer logo In The Street, que é usada como abertura do programa, em uma versão mais pesada executada pelo Cheap Trick. Sem rodeios, é mais uma explosão de energia com vocais enérgicos e guitarras destilando riffs viciantes. Um clássico.
Thirteen, uma curta balada de dois violões acústicos na majestosa e frágil voz de Alex Chilton é uma das minhas favoritas no disco pois traz consigo um clima de paz e nostalgia indescritíveis.
Don't Lie To Me é um blues rock descaradamente pesado e desbocado. O velho tema da infidelidade conjugal é tratado com vocais aos berros e guitarras solando para todos os lados. A música ideal para os headbangers de plantão.
The India Song é a singela e bela contribuição do baixista Andy Hummel, uma canção bucólica com flautas e pianos em escalas exóticas, retratando uma vida simples e ideal em algum lugar calmo na Índia.
When My Baby's Beside Me novamente mostra a clássica receita do power pop, refrões pegajosos e repetitivos, imediatamente reconhecíveis.
My Life is Right mostra vocais afinadíssimos e uma introdução de piano de cortar o coração. O trabalho da bateria durante a música é preciso e enérgico, levando a música justamente onde ela precisa ir, sem perder o controle e sem causar monotonia.
Give Me Another Chance, um pedido de ajuda, mostra um lado mais melancólico do Big Star, um violão maravilhosamente gravado, novamente a voz de Alex Chilton sendo o destaque, junto com os backing vocals impecáveis. Com letras como "It's so hard just to stay alive each day" a banda mostra também a beleza pela tristeza. Essa pequena relíquia é coroada com a aparição de um Mellotron, um dos instrumentos mais fascinantes que já ouvi, precursor dos sintetizadores e principal responsável pelo som etéreo atingido por tecladistas em álbuns monstruosos como In The Court Of The Crimson King do King Crimson e Close To The Edge do Yes.
Try Again segue a mesma lógica da canção anterior, porém sem o mesmo brilho.
Watch The Sunrise é outra de minhas favoritas. O violão de doze cordas com afinação em Ré passeia nas escalas e produz um riff viciante, recorrente na canção. Certamente um destaque do disco.
O Big Star nos presenteia com uma última canção curtíssima, praticamente um fragmento, mas em seus 60 segundos de duração, St  100/6 mostra que o arsenal de belos acordes e melodias da banda certamente não estava acabando e assim, sem mais nem menos, esse pequeno disco se encerra, deixando uma saudade imediata e atestando a validade da Teoria da Relatividade para o tempo: serão 37 minutos de sua vida que passarão em sua cabeça em menos de 5 minutos.

O Big Star gravaria ainda mais dois discos antes de desistir de vez do show biz, apenas para realizar algumas reuniões no futuro. Mas essa pequena discografia foi o suficiente para inspirar futuros grandes nomes do pop rock, como o REM, o Teenage Fanclub e Wilco. A banda que pretensamente anunciava em seu nome a esperança do estrelato acabou por falhar em dominar o mundo, mas como toda boa arte, seu legado é perene e seus discos não ficam velhos jamais. Aproveite!




Aquele abraço,
Fazendeiro submarino

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