
Título: OK Computer
Artista: Radiohead
Ano de lançamento: 1997
País: Inglaterra
Gênero: Space Rock/Alternativo/Indefinível
Duração: 53:27
Tracklist:
1. Airbag (4:44)
2. Paranoid Android (6:23)
3. Subterranean Homesick Alien (4:27)
4. Exit Music (For a Film) (4:24)
5. Let Down (4:59)
6. Karma Police (4:21)
7. Fitter Happier (1:57)
8. Electioneering (3:50)
9. Climbing Up The Walls (4:45)
10. No Surprises (3:48)
11. Lucky (4:19)
12. The Tourist (5:24)
O Radiohead é uma daquelas bandas que suscita polêmica. Sua sonoridade, seus métodos não-convencionais de divulgar música e sua relação com a mídia são alvo de discussões ardentes entre fãs obcecados pela banda e pessoas que consideram sua música como "música para cortar os pulsos".
Tentarei deixar de lado essa discussão infindável e focar no álbum em questão e porque vocês devem escutá-lo.
1997: o fim do século XX se aproxima. Século que, desnecessário dizer, guardou uma quantidade fenomenal de eventos históricos, suas evoluções e involuções. A revolução tecnológica se encontrava a todo vapor, e um medo começava a assombrar a humanidade: o Bug do milênio. A partir do momento em que entrássemos no ano 2000, as máquinas entrariam em colapso, comprometendo nossa vida moderna e deixando o mundo em caos e escuridão.
É nesse cenário que o Radiohead elabora seu mais bem-sucedido álbum, OK Computer, em uma mansão de antiga arquitetura que antes pertencera à atriz Jane Seymour, na região de Bath.
Embora negado pela banda, o disco é tido por muitos como uma obra conceitual. Se me permitem uma comparação arriscada de cunho pessoal, em se tratando dos temas, OK Computer seria uma espécie de The Dark Side Of The Moon do fim do século XX. Digo isso porque os temas aqui abordados possuem certa semelhança com a delicadeza humana de Dark Side: paranóia, medo da morte, insanidade, guerra, existencialismo, transportes, objeção política, capitalismo, etc. Só que a mentalidade mudou, assim como o cenário e as condições: um mundo dominado por computadores e tecnologias que nos deixam escravos e podem muito bem arrasar nações inteiras. É perceptível a noção da fragilidade da vida perante um acidente de carro ("...an airbag saved my life" - Airbag), o sentimento de paranóia e a afirmação da humanidade em oposição ao mecanicismo ("I may be paranoid, but I am not an android" - Paranoid Android), o desejo de uma possível abdução para que pudéssemos ver as estrelas e o Universo, a Terra sob uma perspectiva exterior ("They'd show me the stars and the meaning of life..." - Subterranean Homesick Alien), assim como a capacidade de se reeguer perante decepções contínuas no dia-a-dia, o desejo de liberdade (Let Down), a receita da vida feliz (Fitter Happier), o desespero e a última solução no suicídio (No Surprises), o lado escuro do ser humano na horripilante Climbing Up The Walls, uma pitada de otimismo ("It's gonna be a glorious day, I feel my luck could change" - Lucky) e, por fim, uma crítica mordaz ao senso excessivo de velocidade da modernidade sobre turistas em Paris que não paravam um segundo em cada lugar que visitavam ("Idiot, slow down, slow down" - The Tourist).
O modo como Thom Yorke conduz as letras mostra que há algo especial para ser ouvido aqui, não menosprezem as palavras. O sentimento de sufoco e desesperança mesclado com a persistência inerentes ao ser humano moderno são claramente ouvidos nessa obra. Além disso, as atmosferas musicais e o instrumental são um show à parte. Influências musicais citadas por membros da banda variam de Miles Davis a Beatles, Queen e Pixies. Um jornal britânico, na época do lançamento de OK Computer, chamou o Radiohead de Punk Floyd, devido à sua psicodelia pesada e às vezes brutal. Vejam que há sim a abordagem do suicídio, assim como atmosferas quase que líquidas e vocais inspirados e emocionados, talvez daí venha a concepção de uma banda depressiva.
O que não se pode negar é que este álbum mudou definitivamente a indústria da música e como se pensa o rock moderno. Foi um pulo magistral do último trabalho da banda, The Bends, e apenas um passo na longa escala evolutiva do Radiohead, que viria a produzir mais tarde o estranhíssimo e obscuro Kid A. Mas isso será tratado em posts futuros, eu garanto ;)
Meu conselho final: baixem, comprem ou peguem emprestado este álbum. Não garanto que à primeira escutada as músicas serão digeridas, mas eu tenho certeza de que será uma experiência para não se esquecer tão cedo.
Aquele abraço,
Jules - fazendeiro submarino
Nenhum comentário:
Postar um comentário