Título: A Love Supreme
Artista: John Coltrane
Ano de lançamento: 1965
País: EUA
Gênero: Jazz
Duração: 33:02
Para iniciar, trago A Love Supreme, este que é considerado por muitos a obra-prima deste grande músico.
John William Coltrane nasceu em 23 de setembro de 1926 na Carolina do Norte, Estados Unidos. Faleceu precocemente em 1967, aos 40 anos. Conhecido como um multi-instrumentista, seu trabalho girou em torno do Sax Tenor, assim como o Alto e o Soprano.
O álbum em questão é uma ode à fé de Coltrane e seu amor por Deus (não necessariamente o Deus cristão, segundo Coltrane ele acreditava em todas as religiões). O contexto em que o álbum foi gravado é de extrema importância para entender a filosofia por trás da música: recentemente expulso da banda de Miles Davis devido a seu uso abusivo de heroína, Coltrane chegou a um ponto onde, ou ele entraria em ostracismo e atingiria o fundo do poço, ou faria algo para se revitalizar. E a segunda opção foi escolhida.
O álbum é uma suite de 4 partes:
- Parte 1: "Acknowledgement" – 7:47
- Parte 2: "Resolution" – 7:22
- Parte 3: "Pursuance"/Part 4: "Psalm" - 17:53
Na primeira parte, o elemento místico e espiritualista da música torna-se evidente. A peça começa com o soar de um gongo e, ao fim da primeira parte, Coltrane entoa o mantra "A Love Supreme" repetidas vezes, sua voz acompanhada de sua própria voz em overdubs.
Resolution abre com um breve solo de contrabaixo e o Sax passeia em escalas hipnóticas.
Pursuance nos mostra um maravilhoso solo de bateria seguido de uma das mais fantásticas frases do Jazz da história (na minha humilde opinião) conduzida majestosamente por Coltrane. Logo após somos contemplados por um incrível solo de piano de McCoy Tyner. O motivo segue, segue, e os dezoito minutos se passam em questão de segundos.
O estilo de Jazz adotado é o Modal Jazz, que data desde o final dos anos 50. A grande sacada aí é que o pianista toca uma sequência de acordes (dissonantes) sobre os quais o Sax sola, dando uma grande liberdade à composição de solos marcantes e motivos que, bem, há 40 anos ainda são hipnóticos hoje em dia. As quatro notas que se repetem aqui e ali no álbum simplesmente não saem da minha cabeça e, assim que as ouço, consigo ouvir em minha cabeça: A Love Supreme, A Love Supreme...
Em resumo, a todos aqueles que se interessam por Jazz e querem conhecer seus expoentes, meu urgente conselho que ouçam esta obra-prima, pois ao lado de Kind of Blue de Miles Davis, este álbum tem lugar definitivo na minha lista de melhor disco de Jazz da história.
Aquele abraço,
Jules - fazendeiro submarino
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